
“Cada hora, cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo! (…) Esta vida é de cabeça-pra-baixo, ninguém pode medir suas pêrdas e colheitas. (…) O que é que uma pessoa é, assim por detrás dos buracos dos ouvidos e dos olhos? (…) Um bom entendedor, num bando, faz muita necessidade. (…) Somente com a alegria é que a gente realiza bem — mesmo até as tristes ações.”
João Guimarães Rosa
"Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos."
Guimarães Rosa
Retirados daqui
“Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade,
tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores,
as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia,
a pele da terra, as pedrinhas menores,
as formiguinhas passeando no chão de uma distância.
E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”
Guimarães Rosa, in Campo Geral*
“Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...”
[Guimarães Rosa, in Campo Geral]
“Todo caminho da gente é resvaloso. Mas, também, cair não prejudica demais - a gente levanta, a gente sobe, a gente volta"
Guimarães Rosa
"Arco íris proxíssimo! parece andar com o trem. Seu verde é belo - bórico - vê-se o roxo, anil. Não tem raízes, não se encosta no chão. Está do lado oeste, onde há nuvens estranhas, escuras, de trombas d'água. E cidades e aldeias sobre montes, grimpas. Do lado do mar, o sol se abaixa. Tudo claro. como o trem divide o mundo"
Guimarães Rosa, in Grande Sertão: Veredas
“Eu careço de que bom seja bom e que o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados...Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata, no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado...”
Guimarâes Rosa
"A beleza aqui é como se a gente a bebesse, em copo, taça, longos, preciosos goles servida por Deus. É de pensar que também há um direito à beleza, que dar beleza a quem tem fome de beleza é também um dever cristão."
Guimarães Rosa
Umas moças, cheirosas, limpas, os claros risos bonitos, pegavam nele, o levavam para a beira duma mesa, ajudavam-no a provar, de uma xícara grande, goles de um de-beber quente, que cheirava à claridade. Depois, na alegria num jardim, deixavam-no engatinhar no chão, meio àquele fresco das folhas, ele apreciava o cheiro da terra, das folhas, mas o mais lindo era o das frutinhas vermelhas escondidas por entre as folhas - cheiro pingado, respingado, risonho, cheiro de alegriazinha.
Guimarães Rosa