Eu pedi aquele instante atravessado na garganta
e quase sem medo vi que nada mais era tão simples,
mas os sonhos têm essa coisa deslizante
que lubrifica todas as ranhuras,
rachaduras e alisa as farpas,
são eles, os sonhos,
que me permitem acordar.
Que tenha brilho, que tenha cores, que tenha asas que voem sem medo…
Que percorra espaços, que encontre abraços, que deslize em mares e se perca entre as flores!
Que venha o novo ano explodindo estrelas porque ela quer mais é comemorar, ela quer mais é viver e sentir que tudo é possível, ela tem a permissão de conquistar, ela quer acreditar.
Que surjam os caminhos, que nasçam as curvas, a estradas retas, os planos junto com as metas,
que eclodam os sonhos que ela traz nas mãos e que ali onde mora a certeza, cresça o gramado tão verde de esperança.
Ela sorri pelo que há por vir, mesmo sem saber o que virá, ela sabe que está para chegar…
Ela caminha entre margaridas…
é um tapete confortável, que lhe beija os pés.
Cansou de se ferir com os espinhos das rosas.
Com tanto chão para se andar,
ela escolhe a falta dele.
É nessa corda bamba que ela aprendeu em desequilíbrio,
que nascera com alma de trapezista.
Nem importa muito terminar o caminho,
é o passo a passo, pé ante pé, é o quase despencar,
é o escorregar e de ponta cabeça balançar com a corda nos pés,
como quem diz:
Te enganei… Achou que eu fosse cair, né?
Onde vai dar? Quem sabe…
Mas com certeza será um horizonte diferente,
outra paisagem, outros ventos a soprar, outro cheiro no ar, outro chão para pisar.
O onde não importa tanto, ele aparece, o como… acontece, mas o quando é agora!